terça-feira, 26 de janeiro de 2010

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Não se sabe por quanto tempo a moça ficou parada vendo a partida dos elefantes.
O tempo é tão relativo e insignificante diante de certos acontecimentos!!!
Um vazio imenso e uma dor insólita invadiram aquele ser inquieto.
Por que partiram? Por que?
Suas pernas franquejaram e seu corpo rendeu-se aquela estranha sensação de perda.
Caiu por terra, aquela terra ainda revirada pela passagem daqueles mamíferos tão imponentes, e chorou... Um choro que abalaria muitas cidades se elas existissem naquele local.
Lavou sua alma e seu corpo cansado. Seu peito doía enquanto soluçava.
Ela agora estava sozinha naquela luz  e toda a certeza que antes morava dentro dela desapareceu.
Ergueu o seu rosto na intenção de pedir ajuda  a algum ser espiritual. Afinal ela ainda tinha fé, quando deparou diante de si com um exemplar daqueles elefantes encantadores (encantados???).
Aqueles olhos brilhantes e dóceis quando encontraram com os dela fizeram surgir do seu rosto um sorriso maroto e a tranquilidade reinou novamente.
Ele balançava a cabeça para um lado e para o outro, analisando as reações daquela moça que mais parecia uma criança.
Sem se importar com a reação que aquela desconhecida poderia ter, perguntou na maior naturalidade o porquê que chorava tanto.
Deslumbrada, ergueu a sombrancelha, e respondeu tentando esconder o pouco do seu  espanto.
- Meu choro é apenas a saudade daquilo que eu não provei. Saudade de querer estar com os seus.
O elefante disse que havia voltado porque sentiu que o coração da moça era diferente dos humanos que passaram pelo seu caminho. Pediu a ela que subisse em seu dorso e que segurasse firme pois a levaria para um lugar que nenhum humano sabe da sua existência.
Sem pensar em nada, obedeceu ao seu novo amigo e ele partiu na mesma direção daqueles que por ali já passaram.
Era incrível como corria!!!
Em alguns momentos ele erguia as pernas e levitava. Não era um voo, pois não saía de perto da terra, mas provocava arrepios deliciosos no corpo da sua companheira de viagem.
Era impossível conversar naquele instante, sua cabeça trabalhava a mil por hora , seu coração batia rapidamente , e o seu novo amigo estava concentrado demais para um simples bla-bla-bla.
Assim que ele fizesse a primeira parada algumas perguntas seriam feitas, infinitas dúvidas faziam moradia dentro de si.
O mais importante agora era sentir que não estava mais sozinha, tinha ao seu lado a melhor companhia que poderia querer naquele momento...

(cont.)

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