quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

...(2)



Naquela corrida frenética, o som do seu coração parecia ser mais alto que qualquer outro ruído exterior.
Por algum tempo, fechou os olhos e no silêncio do seu pensamento deixou toda a sua vida para trás.
Lentamente, foi reabrindo as janelas da vida e seus olhos começaram a entristecer com as cenas que estava presenciando.
Inocentes e indefesas árvores queimadas e cortadas pelas mãos ingratas do homem.
Animais sedentos a procura de um rio límpido e utópico. Cadáveres de várias espécies povoavam aquele cenário dantesco.
Por que o homem é tão cruel a ponto de destruir o seu próprio habitat?????
De repente, ela se dá conta que  uma luz multicolorida se aproxima cada vez mais....
_ Segura com firmeza!!!!!! gritou o elefante alertando a sua amiga. Assustada, quase arrancou o couro daquele ser tão doce.
A luz se aproximava, e ela sentia uma energia diferente, seu corpo parecia estar em curto-circuito.
Um redemoinho atroz fez com que o elefantinho e sua companheira dessem piruetas no ar. A força era tanta, que as mãos da moça se soltaram e um grito de temor saiu de dentro do seu ventre.
Ela tentava se aproximar do seu amigo, mas era inútil. A voz interior que a acompanha por toda sua vida  pediu para que ela confiasse e mantivesse a calma.
Foram segundos que se tornaram eternidade.
Devagar, o redemoinho foi diminuindo , até chegarem no estágio de levitação plena e lentamente pousaram em terra firme.
O elefantinho ria ao ver como ela estava caminhando, parecia um boêmio no fim da noite.
- Você está bem?????
- A hora que o mundo parar de girar, poderei te responder com melhor certeza!
- Sente-se!
E foi assim que ela se deu conta do lugar encantador que ela se encontrava.
Certamente era o paraíso!! Talvez sua missão na Terra tivesse sido cumprida e agora era o momento de usufruir o fruto das suas boas ações.
Uma imensa cachoeira ao fundo, dava ao local um ar de mistério.Borboletas de tamanhos e cores variadas deixavam o cenário mais pitoresco. Joaninhas passeavam sobre as folhas de forma graciosa. Um céu azul que jamais havia  visto,  cheio de nuvens com inocentes formatos.Flores de todas as cores ornamentavam aquele lugar perfeito!
Perfeito??? Não!
Cadê os pássaros??? Cadê outras vidas que não fossem aquelas que ela pode notar???
- Venha!  - disse o elefante.
Caminharam por alguns minutos, e foi então que ela pode ver algo fantástico...
Ela tinha entrado no mundo encantado dos elefantes!!!
A moça não piscava, não queria perder nenhum detalhe...Olhava incrédula: elefantes de todos os tamanhos e cores. Todos vivendo harmoniosamente...
Emocionada abraçou fortemente o seu companheiro de aventuras.
- Você realmente é um amigo especial!!!!
- Especial é você que acredita que o mundo ainda pode ser salvo de toda a loucura e o caos que o homem está presenteando-o a cada amanhecer.




terça-feira, 26 de janeiro de 2010

...



Não se sabe por quanto tempo a moça ficou parada vendo a partida dos elefantes.
O tempo é tão relativo e insignificante diante de certos acontecimentos!!!
Um vazio imenso e uma dor insólita invadiram aquele ser inquieto.
Por que partiram? Por que?
Suas pernas franquejaram e seu corpo rendeu-se aquela estranha sensação de perda.
Caiu por terra, aquela terra ainda revirada pela passagem daqueles mamíferos tão imponentes, e chorou... Um choro que abalaria muitas cidades se elas existissem naquele local.
Lavou sua alma e seu corpo cansado. Seu peito doía enquanto soluçava.
Ela agora estava sozinha naquela luz  e toda a certeza que antes morava dentro dela desapareceu.
Ergueu o seu rosto na intenção de pedir ajuda  a algum ser espiritual. Afinal ela ainda tinha fé, quando deparou diante de si com um exemplar daqueles elefantes encantadores (encantados???).
Aqueles olhos brilhantes e dóceis quando encontraram com os dela fizeram surgir do seu rosto um sorriso maroto e a tranquilidade reinou novamente.
Ele balançava a cabeça para um lado e para o outro, analisando as reações daquela moça que mais parecia uma criança.
Sem se importar com a reação que aquela desconhecida poderia ter, perguntou na maior naturalidade o porquê que chorava tanto.
Deslumbrada, ergueu a sombrancelha, e respondeu tentando esconder o pouco do seu  espanto.
- Meu choro é apenas a saudade daquilo que eu não provei. Saudade de querer estar com os seus.
O elefante disse que havia voltado porque sentiu que o coração da moça era diferente dos humanos que passaram pelo seu caminho. Pediu a ela que subisse em seu dorso e que segurasse firme pois a levaria para um lugar que nenhum humano sabe da sua existência.
Sem pensar em nada, obedeceu ao seu novo amigo e ele partiu na mesma direção daqueles que por ali já passaram.
Era incrível como corria!!!
Em alguns momentos ele erguia as pernas e levitava. Não era um voo, pois não saía de perto da terra, mas provocava arrepios deliciosos no corpo da sua companheira de viagem.
Era impossível conversar naquele instante, sua cabeça trabalhava a mil por hora , seu coração batia rapidamente , e o seu novo amigo estava concentrado demais para um simples bla-bla-bla.
Assim que ele fizesse a primeira parada algumas perguntas seriam feitas, infinitas dúvidas faziam moradia dentro de si.
O mais importante agora era sentir que não estava mais sozinha, tinha ao seu lado a melhor companhia que poderia querer naquele momento...

(cont.)

Encontro inusitado



Caminhando por uma claridade nunca vista, a moça sentia-se perdida.
Onde estava?
Para onde iria?
Dentro dela só tinha uma certeza: era preciso seguir adiante. Sempre adiante.
Essa voz que sussurrava em seu ouvido era confiante e a incentivava nas suas decisões.
Cada passo, um novo sentimento surgia dentro daquele ser tão inquieto, buscando respostas para suas indagações que brotavam incessantemente. Só sabia que era preciso caminhar... caminhar... caminhar...
Medo, certeza,  angústia, saudade , alegria, tristeza, frio, calor. Eram  emoções diversas e tão antagônicas que acompanhavam essa vida de andarilha. Andarilha  sem rumo!!! Isso a deixava angustiada, já que cada passo seu sempre foi  tracejado com muita responsabilidade e consciência de que não poderia cometer erros.
E agora?
Agora era seguir seus instintos.
Sons!
Ela ouvia sons!!!
Tremores.Temores!
Avistava uma fumaça ao longe. Resultado de uma corrida frenética.
Estavam se aproximando!!!
Era o que sua intuição dizia, mas quem?  O que?
Elefantes!!!!
Muitos!!!!!!
Incontáveis!!!!
Estavam tão concentrados na sua corrida que não percebiam a presença da moça fascinada , por estar diante daquela visão que nunca poderia sequer imaginar ter durante toda sua vida.
Enormes e lindos. Altivos na candura de gestos livres.
Correram em direção a um lugar que hoje não sabemos onde é. Nem eu, nem você e muito menos aquela que presenciou toda aquela magia tentando alcançá-los em vão.
Eles pareciam ser mais velozes que a própria luz.
Talvez fossem elefantes mágicos!!!
Ficou apenas a certeza que valeu a pena ter vivenciado o encontro com esses seres encantadores.
Os elefantes... Sim!
Ahhh! Só poderiam ser eles!

.........

domingo, 24 de janeiro de 2010

Fusca Rosa.




Caminhando sem direção certa, deparo-me com uma visão magnífica.
Lá estava ele com seu charme e carisma, decorado de uma forma mais sutil que o meu desejado.
Tingido no tom perfeito de rosa. Era o fusca que eu sempre quis ter.
Hipnotizada fiquei diante dele, tocando-o querendo acreditar que ele estava realmente diante de mim.
Não parava de admirá-lo, não queria perder nenhum detalhe!
Estava vendo a hora que ele sorriria  para mim, ou quem sabe, uma piscadela sorrateira surgiria dos seus faróis.
Em  cima das lanternas dianteiras, laços pintados o deixavam muito mais elegante e flores infantis desenhadas deixavam o fusquinha extremamente  fantástico.
Percebi que as laterais não haviam arte alguma. Que desperdício!!!
Cadê a minha Penélope? Cadê a Quadrilha Maravilha???? Acho que teria que ficar por minha conta.
Não resisti e pedi para eu entrar um pouquinho.
É difícil dizer para vocês se ele era mais encantador por fora ou por dentro. O cheirinho do couro dos bancos, aquela direção revestida por uma borracha toda trabalhada, os badulaques pendurados junto com uma fitinha do Senhor do Bonfim o deixavam com um ar mágico.
Pergunto se está à venda. Ele não estava. Fiquei um pouco desacorçoada.
Não sei porque tamanha tristeza, não teria dinheiro no momento para comprar, mas...
Foto! Uma foto para registrar aquele encontro tão delicioso.
Cadê a minha máquina?????
Tinha esquecido na outra bolsa.
Vejo uma menina tirando vários cliques e peço gentilmente se ela poderia me fotografar ao lado do "Herbie" dos meus sonhos.
Nunca me esquecerei daquele momento. Foi tão real e único.
Às vezes é difícil acreditar que foi apenas uma abstração da minha mente. Uma vontade reprimida, uma imagem que surgiu do meu encontro com Morfeu.

Um dia, meu sonho será a minha realidade!!!!!

Para quem quiser visualizar a "super máquina", clique aqui.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Fábrica de Sonhos




Eu realmente sou uma fábrica de sonhos. 
Alguns insanos, outros não.
Engraçados ou  tristes .
Uns me dão tanto medo que peço para que eu não volte a dormir e outros eu rezo para que haja uma continuação. 
Pena que Freud já  não esteja mais aqui para ler as imagens aqui recontadas por essa eterna sonhadora!
Agora é só esperar a próxima noite.....